domingo, junho 14, 2015

Fé cega, faca amolada?

Hoje eu resolvi retomar meu blog. Chamar isso de blog, aliás, é quase uma ofensa à definição de blog, que deveria ter uma entrada regular, periódica de preferência. No meu caso, esqueça tudo isso, porque só escrevo quanto sinto que tenho algo a dizer. E hoje eu tenho? Acho que não, mas me deu vontade de escrever mesmo assim. E expressar-me por escrito não é bem o meu forte, visto que prefiro o debate tête-à-tête, boca-a-boca, polêmico, de preferência. Mas, nos dias de hoje parece que falar de questões polêmicas é proibido. Um caso interessante é esse das manifestações anti-religiosas da Parada Gay de São Paulo de 2015. Até fiz questão de não ler muito sobre o assunto, para não "contaminar" minha opinião. Genericamente falando, trata-se de um caso de pessoas sentirem-se ofendidas por alegorias, charges ou piadas com figuras religiosas (Por exemplo, Maomé, ou Jesus Cristo). E a questão toda é: Pode-se fazer piada com a fé ou crença dos outros? Bem, no caso do Charlie Hebdo (Paris), a gente viu o estrago que isso fez. No caso recente de São Paulo, as consequências ainda serão medidas no médio/longo prazo. Deixando de enrolar e colocando objetivamente a questão: A fé ou crença das pessoas pode ser desafiada ou questionada através da livre expressão do pensamento, através de ideias colocadas em palavras, textos, charges? Muitos acreditam que não! Acreditam que sempre deve-se respeitar a sua fé. Será mesmo que devemos? Eu lembro de uma experiência marcante, visitando sítios arqueológicos no México, testemunhando como crianças astecas eram sacrificadas em homenagem ao deus Sol. Deveríamos respeitar a fé asteca? Mais recentemente, vídeos postados na Internet exibem degolamentos de jornalistas pelo ISIS, em nome de sua fé!!! Devemos respeitar isso também? Cruzadas cristãs matavam pela espada os pagãos que não se deixavam converter; a Inquisição (e nem faz tanto tempo assim) queimava gente viva na fogueira em nome da fé. Devemos mesmo respeitar a fé das pessoas? Em que espaço, em que tempo? Fé é uma "opinião" que deveria ser defendida e posta à prova a qualquer momento, em nome da racionalidade humana. Do contrário seremos um bando de humanos nem melhores nem piores do que os animais selvagens que matam pelo instinto. E pior, nem é para saciar sua fome de carne. É apenas para saciar sua fome de espírito. Essa eu passo!


quinta-feira, março 26, 2015

Nem destino, nem acaso, só a Natureza operando com suas leis.

Toda vez que ocorre um acidente de grandes proporções com muitas vítimas fatais, como no caso do ônibus que caiu de uma ribanceira na Serra Dona Francisca, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, matando 51 pessoas, em 14/03/2015, e do acidente com o Airbus A320 da Germanwings, nos Alpes franceses, matando seus 150 ocupantes, aparece alguém que foi “salvo” por ter desistido da viagem na última hora. No caso do ônibus o acidente deve ter sido provocado por falha mecânica; no caso do avião, investigações iniciais apontam para uma ação suicida do co-piloto. Em ambos os casos é quase impossível determinar o que teria ocorrido no caso de alguém que não viajou ter feito uma opção diferente. Vamos tentar explicar. Cada evento (uma ocorrência no espaço-tempo) é único e resultado de sua condição histórica (passado) e condições de contorno (presente). Assim que, uma decisão quando tomada ou ação executada é consequência de um estado mental que pode ser ou é influenciado por outros eventos passados e/ou simultâneos. Então você decidiu não viajar naquele voo trágico no último minuto e poderia ter sido mais uma das vítimas? Poderia mesmo? Vejamos. Se você tivesse optado pelo contrário e embarcado naquele voo, o que o faz acreditar que sua presença não poderia, de fato, ter evitado a tal tragédia? Como assim? Agora, você que não embarcou é o culpado pela tragédia? Não exatamente. A consequência de você ter embarcado ou não e assim ter mudado o “destino” do tal voo é imprevisível, visto que isso poderia ter (ou não) influenciado de diversas formas os acontecimentos futuros. Vejamos um exemplo. Ao fazer o check-in você descobre que acabou de colocar na mala que está sendo despachada seus documentos de identidade. Você leva cerca de um minuto para localizá-los e recuperá-los. Durante este tempo, a atendente dá um sorriso para o co-piloto que por ali está passando, o que desencadeia uma série de pensamentos que o levam a um outro estado psíquico, que acabam demovendo-o de um futuro pensamento e ação suicidas. Há uma infinidade de outras possibilidades, algumas das quais poderiam promover alguma outra ação suicida, diferente da que foi executada. Em resumo, você nunca saberá se deixou de ser mais uma vítima ou se poderia ter sido um “herói” não consciente. Não há destino, nem acaso; só a Natureza operando com suas leis, e influenciando nossos estados mentais, nosso “livre-arbítrio”, gostemos delas ou não.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Ao vivo é melhor!?

No meio daquela multidão, alguns se espremiam para sair, outros para entrar. O cenário: a sertaneja Paula Fernandes na festa de Réveillon 2012 na Beira-Mar Norte, em Florianópolis, debaixo de chuva, e (nós) em cima de poças de água e de lama. 

Tinha acabado de assistir ao DVD Paula Fernandes - Ao Vivo, confortavelmente instalado em frente a uma TV LED de 60" com nitidez de imagem suficiente para ver os cílios da menina-boneca, embalados por um som surrounding 5.1. Mas parece que não tem nada que substitua a imagem direta, a visão ocular sem obstáculos, reflexão ou projeção. Fiquei me perguntando: o que é que faz alguém como eu (e mail 200 mil pessoas, de acordo com as estimativas da Polícia Militar) sair do sequinho e quentinho de seu lar para ver sob chuva e bafo menos do que tem ali tão perto e disponível? Não é pela música, porque essa dava para ouvir de casa; não é pelo cheiro (dela) ou pelo tato, porque esses ficaram bem longe. Era simplesmente pela visão direta, mesmo que embaçada pela chuva e pela nuvem de gás carbônico criada no palco pela competente produção da cantora/compositora. Foi com esse cenário e nessas circunstâncias que me dei conta do quanto o virtual e o real podem ter valores tão diferentes, dependendo das circunstâncias, e o quanto o real pode ser confundido com presencial.

Tenho me interessado pelo tema real versus virtual já há algum tempo, e tenho analisado experiências que podem mostrar a diferença entre o que é cultural e o que é biológico, intrínseco, "natural" (Não concordo com Pierre Lévy - O que é o Virtual, Editora 34, que defende que o virtual só existe como potência e não deve ser contraposto ao real). Em geral tenho defendido que experiências virtuais podem ser tão ou mais satisfatórias do que as reais, dependendo de quanto a sua mente é capaz de simular a condição tida como real ou presencial. E isso implica um certo grau de imersão, liberdade e abstração, imaginação. Um jogo de xadrez contra um computador pode ser um bom exemplo. A satisfação de superar o adversário "virtual", neste caso um programa de computador, pode ser mais gratificante do que ganhar uma partida contra um jogador de carne e osso. A virtualização do jogo, neste caso, não é só potencial; ele, o jogo, é real! Na questão de um evento virtualizado, portanto, a relação espaço-temporal parece pender mais para o espacial em alguns casos, e mais para o temporal, em outros. E, portanto, nem sempre real deve ser sinônimo de presencial, no sentido espacial e temporal. Falar com alguém no Skype ou no Facetime é uma experiência bem real, embora possa estar mal sincronizada e com personagens em lados opostos do planeta.

Entendo que o sentido do que parece real no senso comum está em presenciar algo com os nossos órgãos sensoriais e está ligado à interação de diferentes sinais que ativam ou estimulam nossos receptores químicos, térmicos, de luz e/ou mecânicos, e à expectativa que temos das experiências sensoriais do passado, nossas e de nossos ancestrais ("memórias" genéticas biologicamente a nós transferidas). Pois que os sinais de luz que nos atingem, como os que podem ter vindo refletidos da Paula Fernandes, são somente ondas eletromagnéticas que não dão a mínima para o caminho direto ou indireto que precisam seguir antes de chegar aos nossos olhos. Todavia, era este caminho direto que estava sendo buscado por todos que estavam presentes ao espetáculo do Réveillon, mesmo que a imagem no telão ao lado fosse mais nítida e próxima.

Obviamente que não estão nos olhos os prazeres ou desprazeres que sentimos; e também não estão no tato ou audição. Eles estão em nosso cérebro, e na forma como nossa mente constrói emoções e registra e resgata memórias. No caso do show ao vivo, há ainda o sentimento do coletivo, da ligação quase transcendental entre o ídolo e o fã, ou entre os próprios fãs, algo que precisamos compreender melhor para entendermos como alguém quase completamente desconhecido se transforma num grande sucesso de uma hora para outra, e vira mito no momento seguinte. Fala sério: quem conhecia Paula Fernandes antes de sua participação no show de final de ano do Roberto Carlos na Globo, no Natal de 2010, há um ano atrás? E o que dizer do mito Roberto Carlos por si só? 

Estamos falando da construção de experiências e de memórias que combinam ingredientes biológicos (percepções sensoriais, laços emocionais, ...) e culturais (percepções culturais, laços coletivos, ...) capazes de transformar a realidade como a percebemos e de agregar valor através das conexões com a realidade já vivida, nossas memórias, ou o que está por vir (nossas expectativas com relação ao futuro). Esse é um fenômeno que separa agentes de expectadores, atores de platéia, ídolos de fãs. No fundo, estamos tratando dos mesmos mecanismos que fazem o Ronaldinho Gaúcho ou o Neymar (do Santos) ficarem 'lindos', mesmo com dentes ou cabelos horrorosos, ou ainda o Tancredo Neves, que pouco fez em vida, comover o país e virar herói nacional post mortem.

Eu até entendo o reconhecimento por valores intrínsecos, pelo talento inato, do que é fruto a admiração que sentimos por Pelé ou Ayrton Senna, por exemplo, unanimidades nacionais. Mas, convenhamos, tem muito de artificial, virtual, nisso tudo! Com um milésimo da grana do Eike Batista, até eu fico bonitinho de uma hora para a outra. Portanto, onde está o valor intrínseco? Ou ele não é o que interessa apenas? Que tipo de realidade nos traz bem-estar? Posso ter satisfação só com o virtual? Como conectamos nossas expectativas com nossa história? Como se dá a ligação do presente com o passado e o futuro? Como criamos nossas percepções? Como valorizamos nossas memórias?

Esses assuntos são fascinantes e complexos, objetos das Neurociências, e que afetam nossa cultura e têm implicações importantes na economia, na formação de políticas públicas, na formação de recursos humanos, na educação de nossos filhos, no bem-estar individual e social em geral. Devemos refletir e discutir um pouco mais sobre eles, se queremos entender o que nos traz prazer e nos faz feliz. Isso é o que pode nos tornar seres humanos 3 vezes sapiens.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Minhas hipóteses (sujeitas a alterações), rsrs


1) A vida é uma só;

2) O tempo é certo; nem muito, nem pouco;

3) Se eu ficar parado, o tempo não se importa, passa do mesmo jeito;

4) Não quero viver uma vida "comum", fazendo o que esperam de mim;

5) A única pessoa a quem eu tenho que dar satisfação é a mim mesmo (Esse já criou polêmica, :)!

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Novo, com atitude


Um ano é só uma medida da idade,
Um marco no contínuo do ainda.
Cabalístico, mercê da gravidade!
Um ano começa quando outro se finda.

Só porque queremos que assim seja!
Que o ciclo nos diga para onde voltamos;
Que recomecemos de onde se almeja,
Olhando para o futuro que desejamos.

Mas, não importa, o novo é sempre bom.
Não que o velho não valha nada!
É que o novo que vem é quem dá o tom
Da esperança que urge predestinada.

Que o homem insiste em perseguir
Como herança de outros que fazem crer
Que o mundo caminha para um porvir
Repleto de sonhos que queremos ter.

Mas o novo ano será só mais um
Que passará como outros, amiúde,
Se não deixarmos o lugar comum
Daqueles que esperam sem atitude.

quarta-feira, julho 09, 2008

Os genes da fé

A crença na vida eterna como elemento de evolução e preservação da espécie

Do ponto de vista científico, aquilo que se busca nas inúmeras crenças humanas e religiões está bem determinado. Para colocar de uma forma bem simples: somos eternos! Cada pedacinho de nós se preservará para sempre, obedecendo a uma lei natural que determina que a matéria (massa+energia) não pode ser criada nem destruída. Quando morremos, viramos novamente pó das estrelas, de onde viemos e para onde vamos.

Esta visão científica, no entanto, não satisfaz a grande maioria das pessoas, que busca conforto espiritual em sua fé, normalmente associada à perspectiva de uma 'vida' após a morte. Sempre fui intrigado com esta questão da fé pela fé, e até hoje não consegui entender por que as pessoas parecem necessitar e são levadas a acreditar que o ser humano pode ser imortalizado como tal, mesmo vendo seus corpos desaparecem em fumaça e pó.

Não seria mais fácil aceitarmos que somos eternos, como a boa ciência nos ensina? Certamente que não! Pode-se argumentar que a maioria das pessoas não possui um vasto conhecimento científico para entender e aceitar esta realidade, mas essa premissa não é consistente. Mesmo cientistas de renome respondem ao apelo da fé e tentam justificar sua crença com base em preceitos 'científicos'.

Então por que é que somos praticamente forçados a acreditar em Deus e vida depois da morte? Em minha opinião só há uma explicação: a crença na vida eterna é um elemento natural, próprio do arcabouço biológico que trouxe o ser humano até o seu atual estágio de evolução. Vamos tentar provar isto por contradição, ou seja, mostrando que se ele não acreditasse, não estaria aqui para ler ou escrever este artigo.

Fé é um atributo humano! Cachorros não têm fé, formigas não tem fé, bactérias não têm fé. Chimpanzés também não, até onde sabemos.

A fé, ou seja, a crença em uma dada coisa sem que se precise provar a sua existência no plano físico, é um sub-produto elaborado e conseqüência da consciência.

Vamos a analisar a situação hipotética de que os seres humanos desaparecessem do planeta, por uma causa qualquer, que extinguisse a espécie, como ocorreu, por exemplo, com os dinossauros. Tudo indica que a próxima espécie a alcançar o estado de consciência, da forma como a conhecemos, seria o chimpanzé. Vamos imaginar um cenário onde alguns chimps tomassem consciência da própria existência e de sua natureza, num processo semelhante ao que deve ter ocorrido com o ser humano. Muito certamente esta tomada de consciência tem relação com um nível de linguagem e comunicação mais avançado. A linguagem é o elemento básico que permite a elaboração de pensamentos concretos e abstração de idéias. É inevitável o choque entre a auto-consciência e o Universo esplêndido ao redor! Como entender a limitação da mente e do corpo num cenário tão espetacular: o Sol, a Lua, as estrelas, os trovões, os relâmpagos; o dia, a noite; a vida, a morte...? Os chimps olhariam para o céu e adorariam o seu deus ou os seus deuses. A sensação de vazio e impotência diante da força da Natureza não permite à mente consciente a exposição à sua própria fragilidade. A única forma de preservar a mente e consciência é acreditar que uma força superior, visível ou invisível, vai mantê-la no estado de permanente lucidez. Se essa crença não existir, a mente é forçada a atribuir-se a si a fragilidade nua e crua da vida, ou seja, a sua morte. Neste contexto não sobra espaço para a construção de uma sociedade moral e eticamente comprometida. O resultado é um 'bando de animais' que vai –pelo seu poder de manipulação dos objetos naturais– destruir-se a si próprio. Os bárbaros que os digam. É o respeito pelo Sagrado, pelo Superior, pelo Onipotente, quem transforma o animal em um ser socialmente capaz, eticamente defensor da própria espécie, e religioso.

Os genes que nos preservaram e nos colocaram no planeta como espécie dominante são genes comprometidos com a fé! De alguma forma que a ciência ainda vai precisar explicar, existem processos bioquímicos que não nos dão outra alternativa senão crer em algo superior, seja ele Deus ou a própria Ciência. Para os que não acreditam em nada haverá sempre o Sol, as estrelas, o Universo.

sábado, janeiro 26, 2008

O poder da segunda lei

Somos constantemente induzidos a pensar que ter mais dinheiro ou poder nos torna mais felizes. Mas a felicidade parece mais ser uma questão de atitude do que de dinheiro. Quanto ao poder, bem, o poder de fazer o que queremos, i.e., a liberdade, isto é uma das coisas que o MasterCard não pode comprar: isto não tem preço!
Um estudo recente da Dra. Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia em Riverside, publicado no livro “The How of Happiness: A Scientific Approach to Getting the Life You Want” sugere que 50% de nosso estado de felicidade depende de fatores genéticos. Uau, that’s a lot! Por outro lado, ela argumenta que a felicidade pode ser criada e requer contínuo esforço, vontade, disciplina, e auto-controle (Veja a excelente resenha de Laura Rowley, em http://finance.yahoo.com/expert/article/moneyhappy/63192). Ou seja, felicidade dá trabalho! E aí, meu amigo, minha amiga, estamos novamente diante da famigerada segunda lei da Termodinâmica.
A segunda lei da Termodinâmica é um “resumo científico” do que se obtém quando se observa o modus operandi da Natureza, em termos da energia que precisamos colocar para realizar um determinado processo. A Natureza parece funcionar de tal forma que sempre cobra um preço, por menor que ele seja –infinitesimal como diriam os matemáticos–, para que certos objetivos sejam alcançados. Em outras palavras, a mudança para (ou manutenção de) um estado de felicidade depende de esforço. E este esforço é o trabalho que temos que realizar para manter nosso nível de satisfação, independentemente da condição em que estamos.
O ser humano, com sua admirável capacidade de se auto-preservar e de se adaptar, precisa sistematicamente de uma recompensa pelo trabalho realizado, o que é proporcional ao seu estado de felicidade. A ausência de esforço, por outro lado, isto é, a acomodação, traz a morte para mais perto, pois esta é o resultado da inatividade e da falta de aporte da energia necessária para a manutenção do status quo.
A conclusão inequívoca é: se você quiser ser feliz, não basta ter dinheiro, tem que se esforçar. A recompensa é a felicidade, num certo tempo e num certo espaço, e que –de uma maneira geral– vale o esforço.
Esse é o poder da segunda lei. Se você sempre colocar um pouquinho a mais de energia do que o mínimo necessário, sempre sobrará um “lucro”, que você pode usar como quiser.

domingo, janeiro 20, 2008

As teias do desenvolvimento

Quanto mais eu ando pelos Estados Unidos mais me convenço de que o grande fator de desenvolvimento americano é a sua eficiente conexão ponto a ponto, que transforma o país em uma grande malha, com redes de todos os tipos por onde fluem pessoas, mercadorias e informações! A malha rodoviária de estradas duplicadas, triplicadas, quadruplicadas..., é de dar água na boca aos infelizes que como eu temos que trafegar há anos numa BR-101 esburacada e agora transformada num canteiro de obras que parece não acabar nunca. As obras de duplicação do trecho Sul da BR-101 em Santa Catarina (De Palhoça ao Rio Grande do Sul) foram iniciadas em 2005 e tem prazo de conclusão previsto para sabe Deus quando; no trecho Norte, até Palhoça, as obras foram paralisadas em dezembro de 2001.

Embora o transporte público não seja o alvo de uma economia tocada a petróleo barato, e isso não valha para todas as grandes cidades americanas (Los Angeles, por exemplo), cidades como Nova York, Chicago e Boston gozam de uma excelente rede de metrôs e trens que dão acesso rápido e eficiente ao centro da cidade para quem mora nos subúrbios.

O transporte ferroviário, aliás, é o responsável pelo escoamento de boa parte das mercadorias por todo o país, livrando as auto-estradas dos famigerados caminhões e carretas que, no nosso caso, entulham, poluem e destroem as estradas brasileiras com seus excessos de peso e falta de fiscalização e manutenção. A navegabilidade dos rios norte-americanos (artificialmente criada, em muitos casos, como no braço do Mississipi que vai até Chicago), e a modernização dos portos é sem dúvida um fator importantíssimo para o escoamento da produção e para a entrada de mercadorias na economia mais forte do mundo.

Se não bastasse, a Internet, agora sem fio e de alta velocidade, faz a informação e o lazer transformar a vida das pessoas. A criatividade por aqui parece não ter limites. Há quem esteja propondo que cada novo automóvel aqui venha equipado, por lei, com um switch/roteador que permita a conexão pública de qualquer indivíduo à rede e que conecte através dos automóveis as redes e dispositivos computacionais e de telecomunicações. Essa moça que criou o Zipcar (www.zipcar.com) e agora o GoLoco (www.goloco.org), de louca não tem nada. A julgar pelo que eles fizeram com as estradas, não duvide que essa lei seja passada e "pegue" por aqui nos próximos anos.

Não vamos nem falar dos aeroportos e preços das passagens aéreas porque aí, bem..., aí é covardia!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Engenharia genômica: unindo ciências exatas, engenharias e medicina

A cada dia fica mais claro que os problemas que envolvem tecnologia avançada nas diversas áreas da indústria, da engenharia, da medicina, de setores agroindustriais, e de outros setores de produção e de serviços, não podem ser tratados de forma isolada e departamentalizada. As novas tecnologias fazem extenso uso da automatização, da miniaturização, e da molecularização dos processos. No campo molecular, o engenheiro de processos (engenheiros químicos, de alimentos, de materiais, ambientalistas, químicos industriais, etc) ocupa lugar de destaque, pois sua formação em ciências físicas e químicas lhe permite melhor entender os mecanismos que regem as conversões e fluxos de massa e de energia. O emprego intensivo de computadores e de tecnologia da informação para a abordagem de problemas complexos, como o seqüenciamento do genoma humano, por exemplo, e o emprego de novas técnicas de DNA recombinante (engenharia genética), permitiu uma maior aproximação das ciências exatas e de engenharia com as ciências biológicas em geral. O genoma é assim visto como uma organela da informação, que pode ser decodificada e tratada num nível que se convencionou chamar de biologia de sistemas.

É importante lembrar que, do ponto de vista molecular, os genomas são muito parecidos entre si: um segmento de DNA de uma bactéria é praticamente indistinguível do de um ser humano; entre os humanos, somos mais de 99,5% iguais uns aos outros; os 0,1–0,5% que nos diferencia contêm as informações que nos tornam mais ou menos susceptíveis a doenças, ao paladar, ao olfato, à nossa aparência, ao nosso desempenho físico, e a inúmeras outras características biológicas individuais e de grupos.

Como do ponto de vista molecular os sistemas biológicos estão sujeitos ao mesmo tratamento e às mesmas leis da natureza que os sistemas químicos, por exemplo, os engenheiros de processos como, por exemplo, os engenheiros químicos, possuem um papel relevante a desempenhar quanto à incorporação da biologia aos seus sistemas de interesse e/ou, alternativamente, incorporação dos conceitos de engenharia aos problemas biológicos. Desta forma, novas disciplinas como a bioinformática pós-genômica, a engenharia metabólica e a engenharia de tecidos, compõem um novo quadro onde a engenharia assume um papel de grande relevância para a abordagem de problemas complexos em diversos setores da biotecnologia e da medicina. Nasce assim um novo conceito, o da engenharia genômica, um conjunto de novas abordagens e métodos que se utiliza fartamente dos fundamentos da engenharia química e do poder computacional e matemático atualmente existente para enfrentar os novos desafios da ciência e tecnologias do Século 21. Como desafio, temos pela frente a adição da biologia como quarto pilar básico da engenharia química (os outros três são a matemática, a física e a química), e a construção de um currículo mais flexível e interdisciplinar. Essa é uma tendência que se já se faz sentir na formação de novos engenheiros nos países desenvolvidos. Resta saber se saberemos aproveitar essa oportunidade, modernizando e/ou adaptando nossos currículos às atuais necessidades da sociedade.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Sobre cotas, cor da pele e genes

Como engenheiro químico de formação eu não posso dizer que sou um especialista em genética. Mas por ter estudado genes e genomas agora já por alguns anos não preciso me declarar um completo ignorante no assunto. Desde muito antes da questão das cotas para minorias ou políticas de ação afirmativa chegar à nossa universidade, eu tenho me deparado com alguns conceitos que ainda me são nebulosos. Esse de raça, por exemplo.

Se perguntarmos para qualquer um na rua se Pelé é branco ou preto, ninguém titubeará em responder prontamente. Mas, e sobre aquelas mulatas do Sargentelli, vocês lembram, o que dizer? Algumas são pelo menos cerca de metade branca, metade preta, isto é, mulatas mesmo, não se tem como negar. Lindas e maravilhosas, diga-se de passagem.

A cor da pele, ou mais propriamente a produção de proteínas e outras substâncias específicas que levam à formação de melaninas, assim como várias outras características humanas, é um traço fenotípico, isto é, é o resultado da expressão gênica de um indivíduo, herdadas parcialmente de seus pais, e transmitidas parcialmente para seus descendentes. Parcialmente porque o meio ambiente, ou as condições de contorno como gostamos de dizer em engenharia, exercem contínua pressão sobre o desenvolvimento do indivíduo desde que os gametas se fundem, interferindo na expressão gênica e, conseqüentemente, nos fenótipos. Em linguagem um pouco mais técnica, o fenótipo é o resultado da transcrição de certos genes, codificados em trechos de um famoso ânion, o do ácido desoxirribonucléico (DNA), em ácidos ribonucléicos mensageiros (mRNA), e de sua tradução em proteínas, que são polímeros formados por duas dezenas de aminoácidos tomados como monômeros (como, por exemplo, o aminoácido tirosina) em uma longa cadeia macromolecular. Outras proteínas e moléculas menores, íons, e a própria água auxiliam na regulação da expressão, permitindo assim variações individuais ainda maiores.

As melaninas são polímeros insolúveis derivados da tirosina, responsáveis pelo escurecimento de peles, pelos, e penas. De forma semelhante, os carotenos contribuem para pigmentação amarela e avermelhada. Nada que a boa ciência não possa ir desvendando em seus mais profundos detalhes. Não há segredos, não há mágica, é pura bioquímica. Os conhecidos zebrafishes ou peixes-zebra (Danio rerio) devem seu nome à expressão orquestrada de seus "genes de melanina". Assim, aparentemente os peixinhos pigmentados, como acontece também com ratos, camundongos e coelhos, preferem ambientes mais escuros, e são menos sensíveis à luz do que seus correspondentes hipopigmentados. Os fenótipos que em alguns ambientes oferecem vantagens, podem ser mortais em outros.

Voltando às mulatas do Sargentelli, a questão que se coloca é: como é possível definir se uma pessoa é, digamos, branca, negra, ou parda, de uma forma que seja absoluta e que sirva de parâmetro para ingresso em uma universidade? Aqui tenho que abrir um parênteses para admitir que não reconheço termos politicamente corretos ou incorretos para cor da pele. Quando eu era menino a gente chamava os negros de negros e não tinha nada de errado nisso. Depois alguns começaram a dizer que chamar alguém de preto era uma forma depreciativa (Ou seria o contrário, começamos a chamar os pretos de negros?). Agora dizem que o "correto" é chamá-los de afrodescententes, coisa que eu sei todos nós somos, admitindo que somos todos descendentes de ancestrais africanos, independentemente de nossa cor da pele ou das pontes de dissulfeto em nossos fios de cabelo (um outro traço fenotípico).

A melhor resposta que tenho até agora é: não é possível. Isto é, do ponto de vista molecular, pelo menos, não é possível definir uma raça propriamente, sem certo grau de arbitrariedade. Pelo menos não objetivamente e sem introduzir um parâmetro cabalístico qualquer. Ou seja, os fenótipos humanos (lembre-se, expressão dos seus genes sob a influência de seu meio ambiente) exibem um espectro contínuo de variações, precisando de indicadores técnicos bem definidos –e arbitrários– (marcadores moleculares, por exemplo) para serem classificados em grupos do tipo "raça A" ou "raça B". A bem da verdade é preciso admitir que grupos que se isolaram de alguma forma reúnem características fenotípicas mais freqüentes, mas ainda assim a variação entre grupos pode ser considerável. Surpreendentemente, é justamente na África onde se encontram as maiores variações genômicas e, conseqüentemente, fenotípicas. Não por acaso: os grupos africanos sofreram de muito maior isolamento ao longo do tempo do que os grupos migratórios deles derivados. Nos grupos africanos, um aminoácido chamado alanina está presente como um "resíduo" da proteína em 98% dos casos, enquanto que em populações européias 99% tem uma substituição por treonina, outro aminoácido na cadeia do polímero. Ou seja, a substituição acidental de um único aminoácido (alanina por treonina, neste caso) na proteína, é responsável por boa parte das diferenças de pigmentação da pele entre esses dois grupos, africanos e europeus, e um único gene entre os cerca de 25 mil que temos tem sido causa de incontável sofrimento, injustiça, discriminação e discussão ao longo da História.

Voltando agora ao Sargentelli, propriamente dito. Se sairmos perguntando se ele era um sujeito forte e alto ou fraquinho e baixo, acho que a maioria que o conheceu acertaria por mais de 99%. Agora, o que dizer do Sílvio Santos? Ele é forte, fraco, alto, baixo? Hum, acho que aqui fica um pouco mais complicado. Pois bem, a estatura, ou o teor de músculos e/ou de gordura, assim como a cor da pele podem também ser considerados traços fenotípicos. Suecas e suecos são em geral mais altos e claros do que brasileiras e brasileiros, por exemplo. Acho que você já entendeu onde quero chegar. You've got the picture!

No doutorado eu tinha um colega post-doc no laboratório que era da tal cor. Ele não cansava de repetir que estava cansado de ter que provar que estava na Northwestern University por mérito e não pela cor de sua pele. Segundo ele, toda entrevista para um emprego era uma tortura pessoal que ele tinha que enfrentar. E ele era "afrodescendente", como querem os americanos "politicamente corretos". Eu mesmo fui Teaching Assistant de uma turma que tinha duas meninas negras. Preciso confessar que elas só foram aprovadas com a ajuda do professor. Estavam claramente defasadas e não tinham a menor condição de acompanhar o restante da turma. Meu amigo negro estava coberto de razões por estar chateado, mas o mercado tinha razões de sobra também para suspeitar dele. Tenho repetido esta história para meus colegas que defendem o sistema de cotas, mas acho que eles usam outros parâmetros em suas análises e desprezam completamente meus argumentos.

Se eu fosse negro, não iria querer entrar pela porta dos fundos. Até porque eu sei que é possível para qualquer um que tenha competência entrar pela porta da frente. Não é tratando os negros como coitadinhos que eles vão superar a desigualdade social que lhes foi imposta ao longo dos anos. E não é instituindo o racismo oficialmente que vamos resolver nossos problemas. É, sim, com muito trabalho, suor e sacrifício pessoal. Ainda podemos salvar a nossa chamada democracia racial. Não se trata de fazer justiça. Trata-se de se construir uma universidade forte e respeitada, com gente de todas as cores e matizes, mas que entrem pelos seus méritos, não pelos seus poucos genes variantes. É só assim que vamos poder eliminar a pobreza e fazer justiça, com os mais fortes superando os mais fracos. Isso vale entre os peixes-zebra e vale entre nós. Essa é uma lei implacável da Natureza. E quem disse que ela é justa?

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Figura: Molécula de melanina. http://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/, 19 Nov. 2007.

Fontes consultadas:

Melanin biosynthesis. http://www.chem.qmul.ac.uk/iubmb/enzyme/reaction/AminoAcid/melanin.html, 19 Nov. 2007

Modern Tribalist. http://moderntribalist.blogspot.com/2006/11/race-genes-and-skin-color.htm, 19 Nov. 2007

Hedges et al. (2007) The FASEB Journal. 21:963.1. Zebrafish melanin pigmentation influences dark-seeking behavior.

domingo, novembro 18, 2007

Rumo ao Ano de 2008

Baixada a poeira da eleição para reitor na UFSC, é hora de preparar o terreno para a reforma que precisa ser feita, dos dois lados do rio, se é que se quer ainda sonhar com uma instituição forte e respeitada.

A UFSC tem, talvez pela primeira vez na sua história, a real oportunidade de se transformar em uma instituição global, atraindo projetos e cérebros que podem dar grande contribuição ao desenvolvimento da região e do país, e colocá-la no plano internacional na abordagem de importantes problemas globais: energia, meio ambiente, pobreza e segurança/violência. Vai precisar de todos para isso, da esquerda à direita.

É importante que se tenha consciência de que essas questões estão acima do interesse e da capacidade de qualquer indivíduo ou grupo, e requerem esforço coletivo para que se criem as condições de competitividade necessárias para a inserção da universidade no contexto internacional. É fácil observar que quaisquer desses temas requer abordagens multidisciplinares, que necessitam de suporte das mais diversas áreas básicas e aplicadas, da engenharia, arquitetura, computação, ciências sociais, biológicas, médicas, de economia, administração, direito, línguas estrangeiras, e poderíamos continuar elencando áreas e campos de conhecimento, e certamente abarcaríamos toda a universidade.

É evidente que a universidade tem que ser meritocrática, e não necessariamente democrática, o que não reduz o espaço a ser ocupado -e muito necessário-, pela ação política que coordena os interesses da sociedade e de grupos menores, internos e externos. No entanto, a escolha dos administradores e assessorias precisa ser consoante com um projeto de universidade moderna, e não o pagamento de favores eleitoreiros. Aliás, seria uma bela lição para aqueles que apoiaram a candidatura vencedora só pensando nas vantagens pessoais, apadrinhamentos e compensações pós-eleitorais. Quero crer que o candidato eleito e seu vice têm a estatura moral e profissional para tirar a universidade deste atoleiro em que se meteu. Isso só o tempo dirá, mas eles nada farão sem a conscientização de que este tem que ser um projeto institucional, sem donos privilegiados.

Isso significa fundamentalmente ter que se despartidarizar a universidade, acolhendo idéias e projetos que venham de qualquer setor ou ideologia, desde que fundamentados num objetivo maior, que tem que ser o de colocar a UFSC no primeiro plano, como a melhor universidade federal do país, nos próximos anos.

Algumas das questões que precisam ser imediatamente revistas e/ou endereçadas incluem:

  • Implantação de um modelo de gestão, capacitação de servidores e revisão de cargos e funções, com um mínimo de gestão de processos, moderno e eficiente. O setor de serviços e de tecnologia da informação precisa ser reestruturado e fortalecido. Muitos serviços precisam de fato ser criados. Não há quem agüente lidar com tanto papel e burocracia. Isso é um desperdício de tempo e de recursos.
  • Criação de meios para aporte financeiro dos setores públicos e, sobretudo, privado. Isso certamente passa por um modelo de gestão de projetos que vai além do que temos/tínhamos nas atuais fundações.
  • Articulação com os sindicatos, que precisam repensar seu papel e representatividade.

Medidas consideradas politicamente incorretas e não populares precisam ser tomadas sem perda de tempo:

  • Jornadas de trabalho cumpridas (i.e., cobradas) de acordo com os contratos de trabalho
  • Revisão das políticas de acesso (vestibular, cotas, ingresso na pós-graduação, atração de pós-doutorandos e pesquisadores visitantes, nacionais e estrangeiros)
  • Segurança patrimonial e pessoal no campus
  • Transformação do HU em um hospital de pesquisa e desenvolvimento moderno.

Parte de um plano desta natureza só pode ser executada se o dirigente não tiver que pensar em eleição/reeleição. É por isso que também é muito importante que se repense o sistema atual de escolha de reitor, diretores de centro e chefes de departamento. A quem interessa o sistema atual? Se o objetivo é o desenvolvimento da universidade, penso que nem à situação, nem à oposição interessa o atual modelo. Afinal, ele deu no que deu. Um desastre! O Conselho Universitário, seu papel, seu tamanho, seu processo de escolha, precisa ser repensado! A UFSC e a universidade brasileira em geral não podem mais se dar ao luxo de ter administrações comprometidas com grupos e dar as costas ao desenvolvimento nacional. Em outros estados vimos o crescimento do sistema federal de ensino com a criação de novas universidades. E Santa Catarina, por que não tem outras universidades federais? Será que temos medo da concorrência? A estupidez e o interesse pessoal precisam ceder lugar à inteligência e ao bom senso. O Brasil nos paga para termos uma instituição decente. Não estaremos fazendo nenhum favor.

domingo, dezembro 04, 2005

Seja bem-vindo(a)!

Já que todo o mundo tem agora um blog, estou inaugurando o meu.
Não sei se será útil para alguma coisa. Vamos ver. Afinal, como dizia Einstein, "Para que serve uma criança quando nasce?" (Será que ele disse isso mesmo?)...

Um grande abraço a todos os meus amigos (Se é que essas coisas existem mesmo, :)).

Luismar Porto